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O IMPÉRIO DA MISTIFICAÇÃO E DO EMBUSTE

* Murilo Badaró

 

Acaba sendo verdadeira tortura para o cronista a existência de feriado no meio da semana. O editor pede antecipação de textos e o escriba se vê obrigado a ciscar jornais e revistas na procura de veio farturoso que o tire do aperto. De repente, noves fora os assuntos políticos nacionais, somos tragados pela condenação mundial ao ataque-defesa que Israel praticou contra seus interesses mais imediatos, impedindo a entrada de bandoleiros ativistas ligados aos terroristas do Hamas em suas águas territoriais.

O mundo inteiro foi sacudido pelos protestos contra a "barbárie" praticado pelos judeus. Entre os protestantes com assento no Conselho de Segurança da ONU estavam os mais sórdidos e cruéis ditadores existentes hoje no mundo, recebidos com aplausos ao proferirem o voto. Pessoalmente, considero o povo judeu um dos mais bem aquinhoados da face da terra. Rápido levantamento deu-me conta de mais de 30% por cento dos premiados com o Prêmio Nobel durante toda a história deste galardão, são judeus, nascidos em Israel ou vivendo em outros países, o que dá ao povo habitante da Terra Santa supremacia mundial em áreas do conhecimento.

Pela mesma forma, a nação norte-americana, contra a qual levantam-se os esquerdistas brasileiros babando de inveja da força e do poderio daquele grande país, oferece ao mundo toda semana não somente seus ganhadores de prêmios internacionais, mas também uma infinidade de conquistas em matéria de pesquisa no combate às doenças que afligem a humanidade, a exemplo da vacina capaz de detectar a presença de bactéria causadora do câncer do pulmão em prazo suficiente para seu combate eficaz.

Enquanto fazemos coro com os protestos contra Israel, divulgamos os números do PAC, programa político do partido do governo, para demonstrar sua absoluta incompetência no exercício de sua missão principal que é governar com zelo pelo dinheiro público, com publicidade e transparência. Isto sem falar na obrigação de plena legalidade. Ora direis, as leis somente servem para atrapalhar, parecem agir os homens do PT e os sindicalistas que estão no governo. Cumprem religiosamente seu projeto de desrespeitá-las, papel no qual se investe como grande líder o próprio presidente da República, que tendo perdido toda a cerimônia não apenas pratica ilegalidades, faz questão de anunciá-las até com antecipação.

Há algo grave e ainda oculto para a opinião publica. Tem sido repetitiva a distribuição dos chamados cadernos para o ensino fundamental com propaganda política e sexual, atingindo as camadas mais tenras da juventude brasileira. Agora o governo, com o dinheiro dos impostos, imprime revista de caráter publicitário, distribuindo-a para todo o Brasil com as mais deslavadas mentiras a respeito do que acontece no país.

Vivemos um tempo de deboche e gabolice. A sensibilidade moral da opinião publica está anestesiada. Sindicatos descumprem a lei sob a batuta presidencial. Tribunais se acoelham ante a arrogância do poder. Jornais e formadores de opinião subjugados pela bulha infernal dos áulicos. É o caos. Podem parecer exageradas ou pessimistas essas observações.

Analisem comigo o fato novo ocorrido nesse final de semana: o Tribunal Superior Eleitoral multou pela quinta vez consecutiva o presidente da República por fazer campanha política irregular em favor de sua candidata. Da punição, o presidente voador faz pilheria e dela debocha . Que exemplo está dando à mocidade do país, descumprindo a lei e caricaturando os tribunais, acoelhados diante da volumosa publicidade em torno do presidente, transformando em verdadeira divindade nos meios de comunicação.

Tudo isto sem a prova cabal do povo, pois ninguém sabe de onde provêem os números destas pesquisas, geradas nos fornos dos jornais altamente privilegiados pelas verbas governamentais. Ainda bem. O fim está próximo com a chegada das eleições e a necessária mudança dos comandos governamentais.

*Presidente da Academia Mineira de Letras

(Publicado no "O Tempo" de 05/06)

  

 
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