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ESTÍMULO À CORRUPÇÃO

* Themístocles de Castro e Silva

 

Não pode ser levado a sério um governo que não se empenha na fiscalização do emprego do dinheiro público. Pior ainda é quando tenta dificultar a ação dos órgãos com tal missão, definida em lei. Infelizmente, é o que se constata no governo do presidente Lula da Silva, que vive às turras com o Tribunal de Contas da União, exatamente em face da vigilância desse órgão na aplicação das verbas orçamentárias.

Como se isso não bastasse para comprometer a seriedade do governo, os jornais estão cheios de denúncias com relação aos sindicatos, que o presidente conhece melhor do que ninguém. A coisa mais escandalosa é o presidente da República vetar dispositivo legal regulamentando as centrais sindicais quanto às despesas no montante de quase dois bilhões de reais. É o artigo 6º da lei 11.848, cujo texto previa a prestação de contas ao Tribunal de Contas da União do uso do imposto sindical.

O fundo sindical em um passado que o aponta como um dos maiores focos de corrupção do País. E foi ele, exatamente, o responsável pela queda de Jango. Eram três entidades: CGT (a CUT de hoje), o PUA (Pacto de Unidade e Ação) e Fórum Sindical de Debates. As tropas já estavam na rua, em 64, quando o general Amauri Kruel, Comandante do IV Exército, telefona para Jango, seu compadre, aconselhando-o a livrar-se de seu dispositivo sindical. Ironicamente, o presidente respondeu que não poderia, porque "ele é o meu V Exército". Só tinha quatro na época. Foi aí que o general Kruel viu que a solução era acompanhar o general Mourão Filho. Poucos dias antes tinha havido a rebelião dos Sargentos, no Exército, e dos marinheiros, sob o comando do famoso Cabo Anselmo. Sem falar no bando da UNE.

Com Lula, segundo informa o "Estadão", este ano foram registradas 128 novas entidades. Em termos de dinheiro, no ano passado só a famosa CUT recebeu nada menos de R$ 26.07 milhões.

Graças ao veto do presidente Lula, a Central Sindical poderá gastar essa fabulosa importância sem prestar contas a ninguém. Democracia é, acima de tudo, o regime da seriedade, principalmente no tocante ao emprego do dinheiro do contribuinte. Infelizmente, o governo Lula não dá demonstração de zelo pela coisa pública. É isso que vemos diariamente, através e sucessivos escândalos.

 

Publicado no O Povo - Fortaleza/CE - 14/06

*Jornalista e Advogado

 

  

 
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