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* Maria Lucia Victor Barbosa
O
PT aprendeu depois de muitas derrotas como chegar ao
poder mais alto da República e nele se manter.
Trocou o discurso revolucionário pelo discurso
pragmático, utilizou em grande escala a propaganda
que engana incautos e aquece emoções, fez acordos
com forças políticas e econômicas inimagináveis nos
tempos dos petistas éticos, mas não esqueceu o
aprendizado anterior de fazer oposição de forma
violenta, ameaçadora, implacável, diante da qual
nenhum partido ousou o enfrentamento adequado, nem
mesmo quando estouraram os escândalos que teriam
derrubado qualquer presidente da República fosse
ele de outro partido.
Uma vez enquistado no poder foi
trabalhado o projeto de permanência do PT,
estipulado por José Dirceu em pelo menos 20 anos,
enquanto Lula da Silva sempre se referia a quatro
anos e depois a oito anos como períodos muito curtos
para realizações pretendidas.
Sem dúvida, a meta de se manter
no mais alto domínio do país foi planejado com
esmero. A figura presidencial foi trabalhada com
requintes de culto da personalidade, próprios de
governantes ególatras. Estimularam as performances
circenses de um Lula, que por vezes lembram as de um
animador de auditório. E ele cultivou o palavreado
chulo, o comportamento inadequado, os atropelos da
linguagem na busca de identificação com as massas.
Mas isso não bastava. Além de
circo o povo quer pão. O governo petista seguiu à
risca a "herança maldita" e até agora tem se dado
bem com o importante respaldo do Banco Central sob o
comando de Henrique Meirelles, ex-tucano,
ex-liberal, hoje PMDB.
Ao mesmo tempo, deu certo a
fórmula: bolsas esmola no melhor estilo do voto de
cabresto para pobres agradecidos; lucros
astronômicos para os ricos, principalmente
banqueiros, empreiteiros, grandes empresários.
Quanto aos intelectuais, artistas, clérigos,
mantiveram o encantamento pelo "proletário de
esquerda".
O Congresso foi anexado ao
Executivo através de "mensalões". O Judiciário
sempre pronto para exercer o direito alternativo
sujeitou-se ao deboche de Lula da Silva que se crê
acima da lei.
Se a herança maldita do PT que
inclui loteamento do Estado pelos companheiros,
dívidas perdoadas a outros países, esdrúxulas
criações de embaixadas como a da Coréia do Norte,
mimos aos companheiros e compadres da América Latina
que usam e abusam do Brasil, fulminar o próximo
presidente, melhor. O caminho está preparado para a
volta de Lula da Silva que, alias já se lançou ao
terceiro mandato em 2014.
Contudo, se para uso interno o
plano de José Dirceu funcionou, a política externa
sob o comando de Marco Aurélio Garcia auxiliado, por
Celso Amorim, tem sido um retumbante fracasso. O
Brasil tem perdido todos os cargos importantes a
nível internacional. Faz questão de proteger
terroristas e assassinos como Cesare Battisti e
outros mais. Dá apoio aos piores ditadores que
desrespeitam direitos humanos. Contudo, a patacoada
em Honduras, quando a mando de Hugo Chávez o Brasil
abrigou em sua embaixada Manoel Zelaya, o
pretensioso e ridículo papel de Lula da Silva junto
a israelenses e palestinos prometendo-lhes a
resolução de seus complexos problemas, não foram
nada diante da peça de teatro mambembe dedicada ao
astuto companheiro Mahmoud Ahmadinejad.
O
resultado da aventura, que teve como única aliada a
Turquia, foi a paulada mais monumental já recebida
por nossa política externa. O Brasil ficou
praticamente falando sozinho no Conselho de
Segurança da ONU quando sanções foram votadas contra
o Irã. Todos os membros votaram a favor, o Líbano se
absteve e a Turquia por pouco não deixou o Brasil na
mão.
Mesmo assim, de forma totalmente
arrogante e estulta, Lula da Silva e Amorim cantaram
vitória. Para uso interno, vá lá, para uso externo
não funcionou, pois além de tudo isso ser
desmoralizante para o Brasil já começam a entender
lá fora quem é de fato o "cara’".
Mas, por que as sanções são
necessárias. Por que o Irã não pode ter a bomba
atômica que está prestes a fabricar? Porque o Irã se
localiza em zona de tensão, porque o país está sob a
égide do perigoso fundamentalismo mulçumano, porque
Ahmadinejad já declarou
com todas as letras que sua gana de destruição
começará por Israel, porque qualquer ataque nuclear
não terá vencedores nem perdedores, porque não
sobrará nada.
Note-se que Ahmadinejad, que riu
das sanções e já ameaça bloquear petróleo para
outros países personifica a marcha da estupidez que
deixa o planeta numa de suas fases das mais
perigosas. Certamente o persa tem adeptos além de
Lula, como Fidel Castro que emergiu de seu sarcófago
para dar apoio a Ahmadinejad e perverter os fatos ao
dizer que Israel é que quer atacar o Irã.
Certamente Lula da Silva gostou
do humor negro do déspota cubano a quem chama
carinhosamente de democrata. Ele e Fidel lembram um
filme passado há tempos: "De como aprendi amar a
bomba atômica". Ambos estão engajados na marcha da
estupidez, sob o comando de Ahmadinejad.
* Socióloga e articulista
lucia@sercomtel.com.br www.maluvibar.blogspot.com
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