|
* Osmar José de Barros Ribeiro
É ponto pacífico, ao menos
para quem procura as razões de determinadas medidas
governamentais tomadas a partir dos períodos de FHC,
que os políticos em geral (as exceções confirmam a
regra) e os da esquerda em particular, temem as
Forças Armadas, vistas por uns como entraves ao seu
“progresso econômico” e por outros como obstáculos à
instalação de um governo “popular e democrático”.
Tais medidas ganharam força a partir do momento em
que ficou meridianamente claro que os militares,
sofrendo críticas injustas além das acusações de
tortura e outras violências, no mais das vezes sem
qualquer razão ou fundamento, as deixavam sem
resposta, na vã esperança de
que a História, a curto ou médio
prazo, lhes fizesse justiça.
A inapetência das autoridades
castrenses no enfrentamento de tais fatos deu maior
ânimo aos revanchistas de plantão, tanto de dentro
quanto de fora do governo (quer do atual quer do
anterior), levando-os a questionar junto ao Supremo
Tribunal Federal (STF) a validade da Lei de Anistia,
votada pelo Congresso em 1979. Para eles, os únicos
merecedores da anistia (além, é claro, dos fartos
prêmios pecuniários recebidos) seriam os derrotados
de ontem e, aos vencedores, restaria a barra dos
tribunais recebendo, a exemplo do que vem ocorrendo
em outros países, o opróbrio da condenação e a
execração pública.
Afinal, será somente este o
objetivo a alcançar: a condenação de uns poucos
militares, todos eles septuagenários? Cremos que
não, pois caracterizaria uma conquista muito modesta
face ao esforço despendido ao longo do tempo. Então,
o que desejam, na verdade, os marxistas incrustados
no governo, na imprensa e em órgãos como a OAB e
outros?
Na realidade, o que desejam é transformar o Exército
em milícia dedicada à proteção do meio ambiente, dos
índios e do combate ao narcotráfico; à Marinha,
seriam atribuídas as funções de guarda costeira; à
Força Aérea, o transporte de autoridades. Para
tanto, a esquerda conta com o apoio de órgãos da ONU
e da miríade de Fundações e ONGs que proliferam no
planeta, todos sonhando com um Governo Mundial que
agrada sobremaneira ao internacionalismo marxista.
Para alcançar tal desiderato, é mister alterar a
Constituição, nela fazendo valer a interferência de
organizações internacionais, incluindo a
retroatividade nos seus princípios. O exemplo mais
próximo e gritante do que desejam os esquerdistas
brasileiros, encontra-se na Argentina, onde um
Exército orgulhoso dos seus valores e tradições
está, hoje, totalmente desestruturado e, na prática,
inoperante. Ao fim e ao cabo o que se pretende, no
Brasil, é fazer com que, a exemplo do que vem
acontecendo na Venezuela, as Forças Armadas sejam
transformadas em instrumento de políticas
governamentais e não, conforme sua destinação
primeira, em instrumento da Política Nacional.
E tal risco existe, sejamos
francos, seja qual for o resultado das urnas em 3 de
outubro, pois, segundo a revista Veja (edição 2163,
de 5 de maio de 2010), o candidato da oposição teria
declarado, numa conversa entre amigos, que o seu
governo “vai ser mais à esquerda” que o da candidata
governamental.
Por sete votos a dois, o
STF deixou claro que a Lei da Anistia não poderia
ser mudada judicialmente muito embora – e aí reside
o perigo – possa, eventualmente, sê-lo pelo
Congresso. E, sem a vã pretensão de
adivinhar o futuro, pode-se afirmar que este será o
próximo passo da esquerda enraivecida, passadas as
eleições ou mesmo antes. Todos sabemos o peso da
opinião publicada (distinta da opinião pública) e
das pressões governamentais sobre os congressistas
brasileiros: poucos, muito poucos, ousam
enfrentá-las e alterações constitucionais não serão
de desprezar.
Assim, hoje como no passado,
estejamos atentos ao comando de “Preparar para o
Combate!”.
* Coronel - ojbr@wnet.com.br
|