
|
De
trapalhadas em trapalhadas internas,
de fracassos diplomáticos em série,
o presidente Lula entende que o
poder deve ser mantido a qualquer
custo. Empenha ilegalmente toda a
máquina estatal em eleger uma
afilhada, que até agora não sabe ao
certo, se eleita, quem, de fato,
governará o país. Pior, o folclórico
presidente ainda se aventura em
querer ser um dos senhores da "nova
ordem mundial", utopicamente
ofertando-se como grandioso mediador
de conflitos internacionais. |
O presidente Lula da Silva
possui como componentes de sua felicidade,
primeiro, a fruição das delícias do poder
nas quais ele imerge com aquele enorme
prazer dos boas-vidas e, segundo, o
contentamento que nunca cessa quando se tem
uma paixão, sentimento que, aliás, se
confunde com obsessão.
A paixão do presidente se
concentra em uma meta, o poder, que uma vez
conquistado deve ser mantido a qualquer
custo. E ele está certo que conservará o
domínio através de sua criação política, ou
seja, da ex-ministra da casa Civil, Dilma
Rousseff, sombra ainda desajeitada do chefe
que o marketing e retoques físicos tentam
corrigir e aprimorar.
Porém, Rousseff tem algo que
nenhum candidato possui: a máquina estatal
que fartamente distribui bondades e o
padrinho Lula que está todo tempo ao seu
lado e estará nos programas eleitorais
gratuitos, quer dizer, no palanque
eletrônico a partir do qual se consegue
influenciar emoções e conquistar corações.
A proteção dada à afilhada é tão grande que
é de se perguntar: se ela ganhar, quem
governará de fato? A autoritária e dura
senhora Rousseff ou o esperto Lula da Silva
que concebeu um jeitinho bem brasileiro de
obter o terceiro mandato sem se parecer
demais com seu querido companheiro e ditador
de fato da Venezuela, Hugo Chávez?
Mas o ambicioso Lula quer muito
mais. Além de manter os cordéis internos do
poder quer ser um dos senhores da “nova
desordem mundial”. Para satisfazer sua
flamejante paixão trabalham incessantemente
assessores também interessados em conservar
aqueles privilégios só permitidos aos que
alcançam o cume iluminado da montanha dos
poderosos.
Com relação à política externa,
além da obsessão da diplomacia brasileira
pelo assento permanente no Conselho de
Segurança da ONU, entraram em cena outras
ambições: a chefia do Banco Mundial ou,
principalmente, a secretaria-geral da ONU.
Afinal, com bons tradutores o presidente que
mal fala português poderia continuar na ONU
a contar piadas, fazer gracejos, dar
mancadas, viajar bastante e, especialmente,
abrir caminho para a “nova desordem mundial”
ao lado de companheiros ditadores da pior
espécie e ditos de esquerda, os mesmos com
os quais ele tem se confraternizado.
A política externa brasileira tem sido uma
sucessão de erros e fracassos, pois até
agora o Brasil perdeu todos os cargos
internacionais que pleiteou. Dirão alguns,
que não é bem assim, pois pelo menos Lula da
Silva tem sido bastante premiado. Contudo,
dizem as más línguas, que tal sucesso é
obtido por meios bastante custosos. Além do
mais, não está muito claro se o encanto que
países importantes sentiram inicialmente
pelo folclórico Lula da Silva ainda se
mantém.
Um dos fiascos que ensejou o começo do
desencanto aconteceu no episódio da
intromissão em Honduras, quando em conluio
com Hugo Chávez o governo brasileiro apoiou
Zelaya e o hospedou por meses na embaixada
brasileira. Mas essa aventura em vez de
desanimar levou o mentor de nossa política
externa, Marco Aurélio Garcia, a sonhar com
vôos mais altos. Na sua utopia, Lula da
Silva deve ser o grandioso mediador de
conflitos mundiais, o luminoso líder capaz
de resolver todos os graves problemas que
anos de esforços diplomáticos de outros
experientes governos não conseguiram. Assim,
Lula promete que vai dar solução aos
complexos conflitos entre israelenses e
palestinos.
Mas essa chibantice não basta. Lula da
Silva tem que provar que é melhor do que os
governantes das grandes potenciais mundiais,
notadamente, dos Estados Unidos. E, por
isso, foi ao Irã, assim como o premiê turco,
Recep Tayyip Ergodan que atropelou o
presidente brasileiro ao anunciar em
primeira mão que um acordo sobre o programa
nuclear iraniano fora alcançado em
negociações nas quais o Brasil participara.
Já Ahmadinejad bajulou Lula ao dizer que
este é seu “bom amigo” e “irmão”, que
“Brasil e Irã compartilham valores morais”.
“Somos contra a discriminação, o
preconceito, a agressão a tirania” disse o
astucioso iraniano. Mas, enquanto ele
destilava hipocrisia, dissidentes eram
presos, torturados, enforcados, minorias
religiosas perseguidas, como os bahais,
assim como outras minorias sociais, sem
falar na situação das mulheres que regrediu
ao século treze.
Depois de muito foguetório na diplomacia
brasileira o tal acordo sobre o programa
nuclear iraniano se mostrou uma farsa, pois
logo depois de assinado um porta-voz da
Chancelaria iraniana anunciou que o país
continuará a enriquecer urânio. Quanto as
sanções em estudo a serem impostas por
outros países levaram Ahmadinejad ao riso e
ao deboche, pois ele conhece bem as artes e
manhas de como burlá-las conforme seu
hábito. E assim, lá para 2013, calcula-se
que o iraniano poderá ter sua sonhada bomba
atômica cujo primeiro alvo, conforme sua
idéia fixa deverá ser Israel.
Tudo isso significa que Lula da Silva deve
estar muito orgulhoso de sua valiosa
colaboração a tão importante projeto de
destruição em massa, assim como de poder
participar da “nova desordem mundial”
pretendida pelo “irmão” Ahmadinejad. Isso se
sobrar alguma coisa.
* Socióloga e articulista.
mlucia@sercomtel.com.br
www.maluvibar.blogspot.com