*Manoel Soriano Neto
O estúpido cartapácio do 3° Programa
Nacional dos
Direitos Humanos
(PNDH-3) contendo seis eixos diretores, 25
diretrizes, incontáveis objetivos, chamados
de "estratégicos", e 521 (!) proposições,
aprovado pelo Decreto 7037/09, trouxe inúmeras, perigosas e totalmente desnecessá
rias inquietações à Nação brasileira. O
execrável Decreto foi modificado, de forma
cosmética, no que alude à "Comissão Nacional
da Verdade" (melhor dizer-se "da Calúnia").
Esse malsinado diploma legal é uma
verdadeira deformação do que realmente
seja a respeitável expressão "direitos humanos", por ele vulgarizada ou banalizada.
Trata-se de um completo ideário para a implantação no País, de um regime totalitário retrógrado, de cariz ideológico, bem ao estilo de Hugo Chávez.
Tanto que as reações
foram e estão sendo assaz vigorosas, oriundas
de amplo espectro da
sociedade, como das
FFAA, da Igreja, da Imprensa,
do Parlamento
("Esse projeto é uma tentativa
de cubanização do
Brasil. É uma proposta de
um psicopata ideológico", declarou o Senador
Demóstenes Torres), do
agronegócio, dos pecuaristas,
etc, etc.
A propósito, o renomado jurista
Ives Gandra Martins, em artigo de título
"Forças Armadas e PNDH-3", afirmou: "Pelo
novo PNDH-3 - apenas um plano programático, como o é o Decreto 7037/09, que
o veiculou -, as polícias militares deixam de
ser forças auxiliares das Forças Armadas,
passando a ser forças da reserva, mas não
diretamente a elas subordinadas e sim a um
Sistema Nacional de Segurança Pública orientado
pela União". Hoje, por força de preceito
constitucional, as FFAA em seu múnus
de garantia dos poderes constitucionais e
de manutenção da lei e da ordem, dispõem,
em situações extremas, das polícias militares
estaduais como forças auxiliares, as
quais passarão ao seu comando e controle.
Entretanto, consoante a proposição do
PNDH-3, essas polícias apenas poderiam
ser forças de reserva do Exército, quando
de conflitos externos, deixando de ser
"forças auxiliares", como reza a Carta Magna,
ficando subordinadas, quando fosse
o caso, a um sistema centralizado sob
controle do Estado, o que enfraquece sobremaneira
as FFAA. Acrescente-se ao que
foi dito, a recente criação da Força Nacional
de Segurança - sem que ela conste do rol de
órgãos responsáveis pela segurança pública,
catalogados no artigo 144, da CF/88 -
composta de policiais militares de todo o
Brasil (já possui um novo, amplo e belo
aquartelamento na cidade goiana de Luziânia,
próximo a Brasília) e sob as ordens do Ministério da Justiça.
Na parte relativa à política externa é
proposto "o reconhecimento do status
constitucional de instrumentos internacionais
de Direitos Humanos novos ou já existentes
ainda não ratificados". E quando se
refere às minorias (índios, quilombolas e
outras) o documento é bem taxativo: "Não existe modelo único e preestabelecido de
desenvolvimento, porém pressupõe-se que
ele deva garantir a livre determinação dos
povos, o reconhecimento de soberania sobre
seus recursos e riquezas naturais, respeito
pleno à sua identidade cultural e a
busca de equidade na distribuição das riquezas
".
Logo se percebe
as intenções dessas esdrúxulas cláusulas, quais
sejam: a aprovação pelo
Congresso, o mais breve
possível, da Declaração
Universal dos Direitos dos
Povos Indígenas, da ONU,
que contou, em foro internacional,
com o entreguista
voto do Brasil, em
2007; e o aval à criação de
inúmeros quilombos e de
"nações indígenas" - em especial na Amazônia -, sendo consabida a cobiça internacional
das riquezas minerais (a maior parte delas, nas descomunais reservas indígenas,
na faixa de fronteira!), da bio-diversidade
e da água doce existentes na exuberante
região, que poderá sofrer amputações territoriais.
Aduza-se, por ilustrativo,
que se fala, atualmente, em "povos
indígenas ressurgidos", mais uma ficção antropológica da FUNAI em
conluio com diversas ONGs. Em determinadas
comunidades amazônicas "são fabricados
novos índios, bastando que o
morador se declare, sem maiores comprovações, descendente de aborígines".
Diga-se que o Brasil já demarcou 107 milhões de hectares - 13% do território nacional
-, para cerca de 400 mil índios (a área da
região Sudeste, com quase 80 milhões de
habitantes, não chega a 93 milhões de hectares...).
Não apenas por tudo isso, pode-se
afirmar que a Soberania Nacional encontrase
ameaçada! "Dominus Vobiscum!"
* Coronel, Historiador Militar e Advogado
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