*Marco Antonio Felício da Silva
A publicação do novo Programa Nacional de
Direitos Humanos teve um grande mérito:
não o de discutir alguns interesses contrariados
de certos segmentos da sociedade brasileira,
como o militar, criando uma crise institucional,
mas o de acordar importantes lideranças, até
então alienadas e anestesiadas, para o processo
de subversão , social e político, que se desenvolve,
no País, a partir dos anos 70, com o surgimento
de um novo espírito revolucionário marxista,
visando a tomada do Poder. Tal processo aproveita-se, principalmente, das liberdades democráticas para com elas, paulatinamente, acabar.
É o processo marxista-gramscista cujo objetivo
é a transição para o regime socialista em busca da
Sociedade Regulada, isto é, do regime comunista,
da ditadura do proletariado, na contramão da
História. Esse processo, inovando e adequando
a práxis marxista-leninista às sociedades capitalistas,
se estrutura em conceitos políticos e
ideológicos, pouco conhecidos e alguns de difícil
compreensão, tais como SOCIEDADE CIVIL,
HEGEMONIA, CONSENSO, APARELHOS VOLUNTÁRIOS, ESTADO ÉTICO, HOMEM COLETIVO,
VONTADE COLETIVA, SOCIEDADE
REGULADA, etc..., denominados genericamente
de CATEGORIAS. Estabelece o politicamente
correto, segundo os interesses respectivos,
forma de enfrentar oponentes, os desqualificando
e desmoralizando, fugindo à argumentação devidamente embasada pela falta da
mesma. Cria uma nova linguagem com termos e
expressões cujos significados carecem da clareza
denunciadora dos reais objetivos a atingir e do
totalitarismo que os permeia : TRANSIÇÃO
PACÍFICA PARA O SOCIALISMO, SOCIALISMO
DEMOCRÁTICO, PLURARISMO SOCIALISTA,
ESTADO AMPLIADO, EMANCIPAÇÃO DAS CLASSES SUBALTERNAS, DEMOCRACIA
RADICAL, INTELECTUAL COLETIVO,
VIA DEMOCRATICA CONSENSUAL,
GRUPO DIRIGENTE, CLASSE
DOMINANTE, HEGEMONIA,
VONTADE COLETIVA, LIBERDADE
COLETIVA, LIBERDADE
INDIVIDUAL (ASPECTO DA LIBERDADE
COLETIVA), etc... Em
face das características sócio-econômicas e políticas do nosso País,
nesse processo, torna-se relevante
o que ocorre na categoria SOCIEDADE
CIVIL, conceito gramsciano
que difere do conceito de Sociedade
Nacional ou da clássica forma jurídica de associação de pessoas. A SOCIEDADE
CIVIL não engloba a SOCIEDADE POLÍTICA,
isto é, o Estado, onde se encontra o denominado
grupo (classe) dominante, aquele que detem o
poder coercitivo. É um conceito excludente, que
privilegia a luta de classes e antagônico ao que se
entende por Direitos Humanos. A SOCIEDADE
CIVIL é o espaço onde atuam as chamadas
classes subalternas, as quais, quando caracterizadas
pela concordância, ação efetiva e adesão
voluntária (CONSENSO) às iniciativas de luta
por um projeto hegemônico, objetivam alcançar
a gestão popular do Poder e estabelecer uma nova
sociedade. A SOCIEDADE CIVIL é o meio no
qual se dá a luta de classes. A HEGEMONIA se
traduz pela superioridade intelectual e moral. É
a capacidade de um grupo social (Grupo Dirigente)
influenciar e dirigir política e culturalmente a
SOCIEDADE CIVIL por meio de APARELHOS PRIVADOS PORTADORES DE HEGEMONIA.

Estes são organismos (sindicatos, partidos, igrejas,
editoras, órgãos de comunicação de massa,
movimentos populares, fóruns, conselhos, assembléias, etc...) que congregam pessoas, de
forma voluntária, relativamente autônomos quanto
ao Estado. Cabe aos mesmos a destruição da
classe burguesa dominante, tendo como finalidade
maior o controle do Estado pela então classes
subalternas. O conceito de Estado passa a ser o
de Estado Ampliado. É
a ditadura do proletariado.
A feitura do Plano
tem como principal
mentor o Secretário Especial
dos Direitos humanos,
Paulo Vannuchi,
ex-militante da mais
violenta organização
terrorista comunista
(ALN), em ação nos
anos 60 e 70, caracterizada
por assassinatos,
assaltos a bancos e a
carros fortes, seqüestros e ações de guerrilha
urbana, objetivando a instalação de uma ditadura
comunista. A ministra Dilma Roussef, foi a
responsável pela primeira aprovação do Programa
antes do seu envio ao Presidente Lula que,
como sempre, afirmou, segundo os jornais, ter
sido pego de surpresa, assinando o projeto, para
remetê-lo ao Congresso, sem ter lido o seu
conteúdo. Vannuchi, lobo em pele de cordeiro,
vem se notabilizando por medidas que propõe e
que têm a finalidade de quebrar os liames tradicionais
da sociedade brasileira, modificando valores
tradicionais da sociedade nacional, dividindo-a segundo a estratégia gramscista e incitando
a luta de classes.
Vem contando com o apoio
aberto de ex-militantes de organizações terroristas. Entre eles o da própria Ministra da Casa
Civil, Dilma Roussef, do ex-Ministro
da Justiça, Tarso Genro, do
Ministro Franklin Martins, do Ministro
da Cultura, Juca Ferreira, e
do Ministro do Meio Ambiente,
Carlos Minc.O III Programa Nacional
de Direitos Humanos, um
calhamaço de 228 folhas, estruturado
em eixos orientadores,
diretrizes e estratégias não resiste
a singela análise para que se mostre
como instrumento da práxis
marxista-gramscista. O título do
documento, Direitos Humanos, e algumas das
assertivas nele constantes, desarmam o cidadão
incauto, até mesmo para que não seja considerado
politicamente incorreto, possibilitando que o
objetivo seja atingido : a conscientização da
SOCIEDADE CIVIL, buscando o consenso,
colocando-a contra a "burguesia dominante" e as
forças coatoras do Estado, representadas principalmente
pelos militares, mostrados como
repressores políticos, pois, são, tradicionalmente,
barreira à consecução dos objetivos de
dominação marxista.
Assim, inconstitucionalmente,
o Programa no prega a revisão da Lei
da Anistia para punir os agentes do Estado que
combateram, por dever de ofício, a camarilha
comunista, em defesa da Nação e, paralelamente,
para garantir a impunidade de guerrilheiros, terroristas,
seqüestradores, assassinos e assaltantes,
como o próprio Vannuchi e outros comparsas,
encastelados no atual governo. Cria a Comissão Nacional da Verdade para examinar as violações dos Direitos Humanos, visando fundamentalmente
os militares. (Como explicitou publicamente
o Gen Maynard Santa Rosa, do Alto
Comando do Exército, sem subserviência, com a
grandeza que caracteriza a servidão militar, exercendo
a sua responsabilidade para com a Nação,
em defesa do Estado em risco, com grande apoio
de civis, militares da Reserva e da Ativa, esta será
a "Comissão da Calúnia" ).
Propõe a mudança de currículos
das escolas militares, verdadeira
cunha ideológica marxista
no meio militar, e a mudança dos nomes de locais
públicos que homenageiam os
abnegados que impediram a
comunização do País. A reação manifestada pelas Forças
Armadas ao conteúdo do documento
em tela ficou aquém
do esperado, pois, não se trata
de algo que atinja apenas o
estamento militar, mas o próprio Estado, visivelmente
já aparelhado, e a Nação como um todo,
sob processo revolucionário, em andamento,
visando a tomada do poder e a mudança de
regime.
O documento privilegia a violência no
meio rural, agredindo o direito de propriedade,
estimulando a invasão de terras, criando COMISSÃO DE DIREITOS HUMANOS, mediadora
entre partes, em substituição à ação da Justiça.
A finalidade é também desorganizar a economia,
estendendo iguais procedimentos para outros
setores de atividade, enfraquecendo o Estado.
Esta comissão, como várias outras similares,
propostas no documento em tela, segundo
Gramsci, são APARELHOS VOLUNTÁRIOS
PRIVADOS, uma forma de gestão popular do
poder em substituição ao poder legal e formal, na
busca da HEGEMONIA das classes subalternas,
passo fundamental para a obtenção do
controle do Estado.
O Programa estabelece a
criação de comitês nomeados pelo governo e
integrados por movimentos sociais com a finalidade
de monitorar, fiscalizar
e punir veículos de comunica
ção social. Teriam,
também, poder para cassar
concessões de rádios e
TV. É a supressão da liberdade
de imprensa, liberdade antagônica a um
regime de natureza marxista.
Na mesma linha de
gestão popular do poder, esta semana, os jornais
publicam proposta do PT para a criação de um
Conselho de Política Externa, integrado por
ONGs, sindicatos e movimentos sociais, de
atuação oficial e paralela a do Ministério das
Relações Exteriores.
O Programa, ainda, defende
a descriminalização do aborto. Apóia a aprovação de lei que permite a união de pessoas do
mesmo sexo com os mesmos direitos dos casais
heterossexuais, inclusive o de adotar crianças.
Impede a exibição de símbolos religiosos em
espaços públicos.
Sem dúvida, são medidas visando
modificar valores arraigados em nosso
povo no que tange a religiosidade e cultura cristã
que não se coadunam com um regime materialista.
O linguajar do Programa é bem característico
de quem domina o Processo Gramscista da tomada
do poder. Como exemplo, o enunciado do Eixo
OrientadorI- Interação democrática entre Estado
e SOCIEDADE CIVIL- e da Diretriz 1-Interação Democrática entre Estado e SOCIEDADE
CIVIL como instrumento de fortalecimento
da DEMOCRACIA PARTICIPATIVA.
É
preciso enfatizar que somente a apresentação e
o prefácio do documento, que deturpam a verdadeira
História e camuflam o seu principal
objetivo, os desclassifica como algo que tenha
alguma serventia a não ser, mais uma vez, a de
nos dar a certeza de que o fanatismo marxista
está vivo e atuante, deturpando a mente e a
conduta das pessoas e de que precisamos
estar atentos para combatê-los, mesmo de
armas na mão, como já o fizemos, vitoriosamente,
sem vacilação.
*General da Reserva
Cientista político - Doutor em Artes Militares
Integrante do Grupo Inconfidência
E-mail: marco.felicio@hotmail.com |