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AINDA HONDURAS

Dias atrás, mensagem recebida e ver sando sobre Honduras, trazia a foto grafia de um cidadão que estampava, num tosco cartaz escrito à mão, mas erguido bem alto e com orgulho, para que todos vissem, uma frase lapidar: los hondureños tienen huevos. E huevos é o que vem faltando a uma ponderável parcela de brasileiros que assistem, sem um murmúrio de protesto, ao avanço do comunismo sobre a nossa Pátria.

Os exemplos dessa investida são muitos e variada a sua origem. Podemos, sem medo de errar, iniciar a busca no erro palmar cometido pelos governos militares ao permitirem, nos assim chamados “anos de chumbo”, que a Universidade, a Igreja, bem como os meios artísticos e intelectuais, fossem o ninho e o abrigo de muitos daqueles que, hoje, locupletam-se com indenizações milionárias (e isentas do “imposto sobre a renda”), além de buscarem, ainda que sem êxito, dividir as Forças Armadas em “novas” e “velhas”, como se o verdadeiro espírito militar comportasse divisões e/ou classificações.

E, ao apontar esse erro inicial, não estou advogando que, à época, se processassem prisões indiscriminadas ou perseguições sem sentido. Defendo a tese de que idéias podem e devem ser combatidas com idéias e, nesse aspecto, não soubemos faze-lo por acreditarmos, inocentemente, que as obras e a conduta dos governos militares seriam a resposta necessária e suficiente às aleivosias da esquerda. Não foram. E o preço desse lamentável equívoco já há tempos o estamos pagando, desde a falada “redemocratização”.

Perdida a batalha da comunicação, assistimos a um bombardeio de acusações contra aqueles que, no cumprimento do dever, com risco da sua vida e da vida de seus subordinados e familiares, enfrentaram os grupos que buscavam (e buscam ainda) transformar o Brasil em um país dominado pelo comunismo, sem que autoridade alguma saia em sua defesa.

Desde o governo Collor, de triste memória, o dia 31 de Março não é oficialmente comemorado. As homenagens aos mortos da Intentona Comunista de 1935 e que acontecem no dia 27 de Novembro são, invariavelmente, apresentadas pela imprensa como um desafio ao governo. As notícias sobre as Forças Armadas, quando positivas, são omitidas e eventuais falhas, por sorte pouquíssimas, são fartamente alardeadas.

Ah!, dirão, mas nós vivemos numa democracia, num Estado de Direito Democrático caracterizado pelo império da Lei. E qual é, o Estado de Direito que diariamente nos é apresentado pelos diferentes meios de comunicação?

Vemos um Poder Executivo que se esforça em comprar os votos dos desvalidos, enquanto cerca de cuidados os grandes grupos industriais e econômicos, sempre de olho no apoio financeiro para as próximas eleições, ao tempo em que, de forma ardilosa e soez, prepara a infância e a mocidade para que aceitem, mansa e pacificamente, a nova ordem socialista.

Temos um Poder Judiciário onde diferentes interpretações da Lei se digladiam, os processos morosos são a norma e a luta, antes de ser pela justiça, está voltada para altos vencimentos no início da carreira e régios proventos no final dela.

Quanto ao Poder Legislativo, a corrup-ção, o patrimonialismo, a falta de espírito público, a sensação de serem seus membros melhores e superiores às pessoas comuns, nos enchem de vergonha. E, vexame dos vexames, recentemente o próprio Senado Federal mereceu, de um órgão da imprensa estrangeira, o epíteto de Casa dos Horrores. Di-to isso, está dito tudo.

Mas o que tais afirmações têm a ver com Honduras, um pequeno e pobre país da América Central, dependente da exportação de produtos primários e do auxílio financeiro externo? Um país que vem de depor um presidente e que, com isto, logrou alcançar a quase generalizada desaprovação internacional?

Honduras foi, no âmbito da América Latina, o primeiro país a movimentar-se contra um estado de coisas que ameaça alastrar-se pelos países de língua espanhola, muito embora seu epicentro esteja no Brasil, berço dessa anomalia política chamada Foro de São Paulo e cujos pontífices são Fidel Castro Ruz e Luiz Inácio da Silva, mais comumente conhecido por Lula.

Trata-se de um país pequeno e pobre, mas no qual os Poderes são realmente independentes e capazes de por cobro aos sonhos presidenciais de permanecer no poder ao arrepio da Constituição, ilusão alimentada pelo virtual ditador venezuelano Hugo Chávez, a quem nosso presidente considera um verdadeiro democrata.

A enfurecida e despropositada reação que a corajosa ação hondurenha provocou na esquerda mundial, da América do Sul á Europa, passando pelos Estados Unidos, diz bem do temor de que os ideais da democracia liberal não tenham sido, nesta parte do globo terrestre, totalmente sufocados pelo Estado.

A Honduras, pelo exemplo, nossos cumprimentos. Realmente, os hondurenhos "tienen huevos".

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