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DOCUMENTOS DA DITADURA

* Themístocles de Castro e Silva

Entre Dilma Rouseff e José Serra, o PRESIDENTE Lula anunciou “pacote para tornar público documentos da ditadura militar e garantir que todas as informações produzidas pela União, pelos Estados e pelos municípios estejam abertas a qualquer cidadão”.

Esclarece o Estadão (14/05/09) que “a Lei de Acesso à Informação, o Portal Memórias Reveladas e o lançamento de um edital para recolher documentos públicos – produzidos entre 1964 e 1965 – tentam resgatar informações ainda ocultas da época da ditadura e acabar, daqui para frente, com a cultura do segredo na administração pública”.

Diz ainda o jornal que, até hoje, o governo não conseguiu recolher os arquivos secretos que estariam nas mãos de militares. As Forças Armadas afirmam, oficialmente, que esses papéis foram destruídos e que nem sequer haveria registro dessa “destruição”.

Das duas, uma: ou, na verdade, os arquivos não existem mais, ou o governo está reconhecendo que as Forças Armadas não confiam nele.

O fato de alguém, como presidente, exibir o título simbólico de “comandante-em-chefe das Forças Armadas”, não quer dizer que ele mereça a confiança dos militares, a não ser também simbólica, como geralmente ocorre aqui pela América Latina. As Forças Armadas são responsáveis pela segurança nacional, que não pode ficar à disposição da formação ideológica de qualquer um. O governo Lula, por exemplo, dispõe de dezenas ou centenas de elementos, inclusive na função de ministro de Estado, que não merecem a confiança das Forças Armadas.

Será que estou dizendo alguma novidade?

A ministra da Casa Civil, que estava ao lado de Lula e que por ele foi lançada para sucedê-lo, merece a confiança das Forças Armadas? O mesmo acontece com todos aqueles que, na equipe do governo ou fora dela, insistem em injúrias às Forças Armadas, provocando-as e mentindo sobre seus objetivos em 1964, na vã tentativa de incompatibilizá-las com a sociedade brasileira.
Por que só agora se lembraram disso? O próprio Lula, três vezes candidato, nunca abordou o assunto.

Pergunta-se: valem documentos, mesmo na época da “ditadura”, que comprometem figuras do atual governo?

Por que não procuram, então, documentos de 1935, quando os comunistas, que inspiraram muita gente do PT, tentaram – aí, sim – implantar uma ditadura no País, matando 38 militares, 26 do Exército e 2 da Polícia?

Não apareceu nenhum Paulo Vannuchi com sua Anistia para indenizar as famílias dos que foram assassinados, inclusive do tenente Sampaio, pai do jornalista Dorian Sampaio, que foi deputado à Assembléia do Ceará.

Quanto ao mais, dona Dilma deve tomar cuidado para evitar maiores detalhes daquele assalto à residência da amante do ex-governador Ademar de Barros, em Santa Teresa, no Rio de Janeiro, em 1969, de onde levaram dois milhões e meio de dólares. Os detalhes envolvem diretamente dona Dilma como uma das figuras do assalto, embora ela própria tenha confessado ao Estadão que agiu apenas como autora intelectual do crime.

Podem procurar à vontade. Uma coisa, porém, eu garanto: não encontrarão corrupção, assaltos a bancos, propinas, dólar em cueca e demais expedientes muito comuns na administração dos que querem “documentos da ditadura”.

Publicado no O Povo - Fortaleza/CE - 19/06

*Jornalista e Advogado

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