*Evandro Éboli
Comandante de Brigada de Infantaria do Exército em Roraima defende permanência
de arrozeiros na Raposa Serra do Sol
BOA VISTA (RR). Principal entidade
pró-demarcação de Raposa Serra do
Sol, o Conselho Indígena de Roraima, o CIR, foi duramente criticado pelo comandante do 7ª Brigada de Infantaria de Selva (BIS) de Roraima, general Eliezer Monteiro. O militar defende a permanência dos arrozeiros na reserva. Ele classificou o CIR como uma ONG “segregacionista”, que não luta pela união dos índios que vivem na reserva e que recebe dinheiro do governo federal e não o repassa a outras entidades.
Subordinado ao general Augusto Heleno, comandante militar da Amazônia, Monteiro critica o CIR por não estimular seus jovens indígenas a prestar o serviço militar, ao contrário de etnias ligadas à Sociedade de Defesa dos Indígenas Unidos do Norte de Roraima (Sodiur).
- O CIR prega a segregação. Eles não aceitam nem que comunidades indígenas recebam benefícios. A gente às vezes passa numa comunidade ligada ao CIR e oferece uma bandeira do Brasil, pergunta se necessitam alguma coisa, oferece serviço médico e dentista, mas eles dizem que não querem. Recusaram até uma escola do Calha Norte, que oferecemos para ser construída no lugar de uma que foi queimada. Política segregacionista não tem vez aqui - disse o general, em entrevista na noite de sexta-feira.
Conselho recebe recursos do governo federal
O CIR defende a demarcação contínua de Raposa e recebe recursos do governo federal para ações em prol dos índios. É vinculado ao Conselho Indigenista Missionário (Cimi) e tem proximidade com a Igreja Católica. Milhares de índios de Raposa têm ligações com o conselho, e para entrar em algumas áreas é necessária autorização da ONG.
Assim como o general Heleno, o comandante Monteiro acha fundamental que as áreas de fronteira, mesmo terras indígenas, sejam habitadas por índios e não-índios. Ele diz que hoje as ONGs dominam postos de controle na reserva e acusa a Fundação Nacional do Índio (Funai) de não ter esse controle:
- A quem compete administrar as coisas que estão nas terras indígenas? Seria a Funai, mas o órgão não tem capacidade para isso. Esse poder é feito por uma ONG, que faz o papel que deveria ser da Funai. Isso é a quebra da federação brasileira.
Para o general, a Funai é muito pequena para administrar tantas e tão grandes áreas indígenas. Ele defendeu a revisão dos processos de demarcação em curso na Amazônia e que cesse qualquer projeto de homologação de novas áreas.
- O Estado deveria pensar antes de fazer novas demarcações ou dar prosseguimento às atuais e fechar os processos. Para que criar terra indígena e entregar para uma ONG cuidar?
Como é afinado com o pensamento do general Heleno, Monteiro foi questionado se também concorda que a política indigenista brasileira é caótica. A resposta foi positiva.
- Tem coisa que precisa ser revista na política indigenista do Brasil. As realidades são imensas e difíceis. Por que, por exemplo, que só se prega a retirada dos não-índios de Raposa Serra do Sol? Por que não retiram os não-índios do resto do Brasil? Fundamental é a unidade do país, a manutenção da integridade territorial.
(Folha de São Paulo - 13/06)
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