Comandante de batalhão apóia protesto de arrozeiros, políticos e comerciantes, que criticaram presidente, ministro e PF
BOA VISTA. Uma manifestação realizada ontem por arrozeiros, políticos e comerciantes de Roraima contrários à demarcação de Raposa Serra do Sol terminou num ato dentro de uma unidade do Exército, em Boa Vista, e com o apoio do general Eliezer Monteiro, comandante do 7º Batalhão de Infantaria de Selva (BIS). Monteiro é a principal autoridade militar de Roraima, e está subordinado diretamente ao comandante Militar da Amazônia, general Augusto Heleno, que criou polêmica ao condenar a política indigenista brasileira.
No início da noite, no auditório do 7º BIS, o general recebeu um grupo de 30 manifestantes e ouviu o deputado Márcio Junqueira (DEM-RR) ler um texto com ataques à Polícia Federal, ao presidente Lula e ao ministro da Justiça, Tarso Genro. No documento, a PF é acusada de ser arbitrária e proteger o Conselho Indígena de Roraima (CIR). Diz ainda que a polícia só atua contra adversários de Lula.
Perguntado se concordava com a posição do general Heleno, que criticou a demarcação em Raposa, o general disse:
- O general Heleno falou o que precisava ser falado.
Ao discursar, disse que a demarcação na fronteira traz riscos à soberania nacional, e recomendou aos presentes que defendam seus direitos na Justiça. Monteiro considerou “bastante apropriado” o fato de o governo do estado ter contestado no Supremo Tribunal Federal a demarcação e a operação da PF.
- Que usem as forças da lei para terem seus direitos garantidos - disse.
Quando defendeu as terras dos arrozeiros, o general foi aplaudido. O militar disse que eles não devem aceitar que os índios ligados ao CIR proíbam circulação de alimentos e combustíveis no interior da área, o que passou a ocorrer depois que agentes da PF e da Força Nacional de Segurança chegaram na reserva, há um mês:
- Cobrem respeito à propriedade de vocês e exijam que possa passar comida, combustível. A terra que está lá, ainda que dentro da Raposa, ainda está sob o nome de suas famílias. São dos senhores.
Numa crítica aos indígenas do CIR, o general afirmou que esses índios se “arvoram como donos das terras” e fazem o controle de quem deve ou não passar naquelas terras.
NR: Quando a Polícia Federal e a espúria Força de Segurança Nacional, em vez de serem empregadas arbitrariamente para atacar a população ordeira e trabalhadora de Roraima, serão utilizadas, por determinação do Ministro da Justiça, para impedir as ações terroristas do MST, particularmente na Ferrovia da Vale, em Carajás?
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