*Prof. Nelson
Fernandes Maciel
No
ano das eleições, que legitimam o processo
democrático, estará em jogo o futuro do país,
pois vamos eleger o novo presidente da
República, os governadores dos Estados, os
senadores, os deputados federais e os
estaduais.
Infelizmente, os
nossos políticos, com poucas exceções, se
enveredaram por um lamaçal de escândalos e
corrupções que desestimula a prática do civismo
e envergonha os brasileiros.
Esta é a
oportunidade única de uma mudança completa: não
reeleger os malfeitores e bandidos.
Por outro lado,
estamos vivenciando uma estabilidade económica
e um ambiente favorável, que nos propicia a
escolha de um novo presidente com base em suas
propostas e debate de ideias.
Esperamos que os
candidatos apresentem, de forma clara e
detalhada, os seus planos para resolver os
múltiplos problemas do governo federal, dos
políticos e de suas políticas.
Não podemos aceitar
a disputa entre quem vai oferecer a maior taxa
de crescimento, o melhor PAC, a mais ampla e
generosa Bolsa Família, ou a simples
continuidade do que está aí. Precisamos de um
projeto de Nação. Um projeto de alguém com
coragem para estabelecer as mudanças e reformas
essenciais para fazer o Brasil andar melhor e
com ritmo de desenvolvimento e crescimento mais
acelerado.
Queremos ouvir um
debate sério sobre a principal reforma, que é a
da educação, na qual está o nosso maior desafio
e a necessidade de grandes investimentos. A
educação reduz a violência e melhora a
segurança; reduz a pobreza e a desigualdade,
melhora a saúde e aumenta a taxa de emprego. A
educação pré-escolar, fundamental e média
precisa se tornar uma obsessão nacional.
A UNESCO, no
relatório "Educação para Todos", colocou o
Brasil na 88a posição no ranking de
desenvolvimento edu
cacional. Estamos
atrás dos mais pobres, Paraguai, Equador e
Bolívia. Uma vergonha!
Investimentos na
educação superior são necessários, mas não é
preciso deixar de lado a formação "mais
importante", só porque no ensino superior estão
os maiores formadores de opinião e,
consequentemente, mais votos, além de silenciar
os universitários - a classe com maior
capacidade de mobilização de um país.
Vamos analisar
aquele que tem o melhor plano para a construção
de uma democracia marcada pela ética,
comprometida com a verdade, com o combate à
corrupção, que não protege os responsáveis por
escândalos e roubalheiras e que garanta a
liberdade da imprensa.
Devemos conhecer as
melhores propostas para a gestão da máquina
pública com austeridade, combatendo seu inchaço
e o descontrole de gastos e desperdícios. Vale
lembrar que a dívida bruta interna do Brasil
vem crescendo assustadoramente, chegando a mais
de 2 trilhões de reais. Isto significa que o
governo vem, consecutivamente, gastando mais do
que arrecada.
Precisamos analisar
o que os candidatos têm a dizer sobre a relação
de nossos governantes com países como Venezuela,
Bolívia, Cuba e, recentemente, o Ira. Quais são
os reais interesses brasileiros nessa
proximidade amistosa e sempre com manifestação
em defesa das açôes desses governantes
reconhecidamente ditadores.
Queremos ouvir um
debate para a proposição de reformas do
insustentável sistema previdenciário, da maluca
e dinossaura legislação trabalhista, do complexo
sistema tributário e da reforma política. Essas
reformas, engavetadas há mais de 10 anos,
facilitarão o progresso de milhões de
brasileiros que produzem e pagam impostos.
Para o
revigoramento da democracia é importantíssimo
que o povo estabeleça a alternância de poder,
que depura o governo, desfaz panelinhas
partidárias em todos os níveis do governo,
empresas estatais, autarquias, agências
reguladoras e fundos de pensão, em que são
gerados os maiores níveis de corrupção.
Com programas de
governo bem estabelecidos, teremos condições de
avaliar as propostas e os planos de cada um e
decidir em quem votar. Assim, já em 2011,
estaremos prontos para cobrar as promessas.
É importante
lembrar: o que está em jogo é o futuro do
Brasil, e não o do PV, PT ou PSDB.
Diretor-Presidente
do Grupo CPT, ex-professor da Universidade
Federal de Viçosa - MG E-mail: adm@cpt.com.br